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Setores químico e petroquímico: as características dos produtos determinam a logística correta
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Início de ano é época de previsões, de avaliações. Por isto, iniciamos esta matéria especial de Logweb com uma avaliação – ou melhor, com as perspectivas para a logística –, por parte de representantes de Operadores Logísticos e transportadoras, no que se refere aos segmentos químico e petroquímico.

“Pela nossa ótica, acreditamos que as indústrias químicas estão cada vez mais exigentes e em busca de parceiros que atendam as suas necessidades. Nossa expectativa é que busquem no mercado somente empresas devidamente certificadas para trabalhar com esse tipo de carga, que é a Certificação SASSMAQ - Sistema de Avaliação de Segurança, Saúde, Meio Ambiente e Qualidade, da ABIQUIM – Associação Brasileira da Indústria Química, e assim possam conduzir seus negócios de forma cada vez mais segura para todos”, diz Thiago Veneziani, diretor da Terra Master em Logística e Transporte Eireli (Fone: 13 3299.5500).

De fato, Edson Fernandes, gerente regional da Alfa Transportes Eireli (Fone: 19 3838.9933), aponta que têm acompanhado uma fiscalização mais intensa por parte dos órgãos governamentais, e também muito mais critério e exigências na contratação de uma transportadora, o que vem ajudando a filtrar do mercado as empresas que não atuam seguindo as normas da legislação e não utilizam equipamentos adequados nem profissionais treinados, colocando em risco todos os envolvidos no processo, a operação e o meio ambiente.

“Por conta da falta de investimento em equipamentos, treinamentos e estrutura especializada, esse tipo de empresa costuma praticar um frete não compatível com o transporte desse tipo de produto e acaba prejudicando o mercado, pois as empresas que investem na especialização não conseguem o retorno necessário”, completa Fernandes.

Já para André Ferreira, diretor da Rápido 900 de Transportes Rodoviários (Fone: 11 2632.0900), cuja análise é feita pela viés econômica, as perspectivas não são das mais otimistas – “são realistas e com tendência a melhorar no final do ano”.

Paulo Ricardo Ossani, diretor executivo da Transportes Cavalinho (Fone: 54 3511.8000), também faz sua análise pelo lado econômico. Segundo ele, as perspectivas para 2015 não são boas: a queda do preço interno do petróleo diminuirá a competitividade da indústria local, ficando mais difícil produzir aqui do que importar. “Em 2015 não deverá haver grandes mudanças quanto ao ano de 2014”, completa Francisco Carlos dos Santos, gerente comercial da Transportes Della Volpe (Fone: 11 2967.8500).

Problemas

Perspectivas à parte, o setor também enfrenta vários problemas. “Um dos maiores é o cliente que não mantém produto em estoque, exigindo urgência em todas as entregas. Como se trata de produto perigoso, é preciso seguir normas, horários e restrições. A solução está em uma interação maior do embarcador com o transportador, programando os carregamentos e interagindo juntos na prevenção de problemas”, destaca Fernandes, da Alfa Transportes.

“Não diria que o que vou citar é um problema, ao contrário. O setor exige fazer com que as transportadoras cumpram normas muito rigorosas. E é exatamente assim que deve ser. Isso é responsabilidade social e ambiental. Outra questão é a da mão de obra que, em sua maior parte, chega aos processos seletivos sem as exigências necessárias para atuar nos segmentos. Também são exigidas soluções logísticas customizadas e de ponta. E há ainda a questão do gargalo no desembarque da carga”, aponta, por sua vez, Ferreira, da Rápido 900.

Marcos Souza, gerente comercial da Rodorei Transportes (Fone: 11 2126.9191), também acredita que o grande gargalo no segmento dos produtos químicos e petroquímicos é a falta de conhecimento no que tange a treinamento e profissionalismo dos envolvidos nas operações, onde grande parte dos acidentes é causada pela falta destes conhecimentos ou pelo desprezo às Leis de Trânsito. “Não se tratam de problemas, mas de exigências para o cumprimento das determinações legais quanto ao meio ambiente e à reduzida disponibilidade de pessoal devidamente treinado”, arremata Santos, da Transportes Della Volpe.

“A logística de produtos químicos, por necessitar de um cuidado muito maior, requer maior planejamento e, infelizmente, um dos maiores problemas enfrentados é não termos, na maioria das estradas do país, uma estrutura adequada que possa comportar locais próprios para estacionamento de veículos carregados, descanso dos motoristas para cumprimento da Lei do Motorista e infraestrutura de atendimento a emergências ideal. Ainda assim, o Governo instituiu uma série de exigências para o transportador rodoviário que fez investimentos para cumprir e a falta de fiscalização acaba colocando empresas despreparadas no mercado, abaixando o custo e criando uma concorrência predatória que prejudica a segurança no geral.” A análise, agora, é feita por Veneziani, da Terra Master.

Por sua vez, Ossani, da Transportes Cavalinho, finaliza esta questão alegando que os maiores problemas enfrentados na logística nestes dois segmentos envolvem irregularidades e variação de volumes na importação e exportação.

Mantendo as boas relações

Problemas à parte, os segmentos químico e petroquímico, a exemplo de outros setores onde a logística é aplicada, também passam por problemas de relacionamento entre embarcador, Operador Logístico e/ou transportadora. Assim, quais ações ou falta de ações podem “azedar” este relacionamento? “No setor químico e petroquímico especificamente, acidentes, incidentes, danos à carga, operações logísticas defasadas e ineficientes, motoristas despreparados e, o pior, danos ambientais. Isto pode ser minimizado através de políticas muito consistentes de proteção ao meio ambiente, como cumprimento rigorosíssimo das normas do setor, certificações por entidades e institutos de alto nível de reconhecimento, um programa muito forte de treinamento e reciclagem de motoristas e profundo conhecimento dos negócios e sistemas do cliente”, aponta Ferreira, da Rápido 900.

Veneziani, da Terra Master, completa este raciocínio dizendo que qualquer acidente envolvendo produtos químicos é passível de um dano ambiental de grande monta, que trará prejuízos não somente financeiros para todos os envolvidos com a cadeia logística, mas, provavelmente, para outros que possam estar no roteiro definido. “As empresas que não estiverem preparadas para evitar ao máximo esse tipo de situação ou que não tenham condições de dar uma pronta resposta, terão, com toda certeza, problemas de relacionamento com seus clientes.”

Ainda segundo o diretor da Terra Master, as indústrias, que são as maiores responsáveis, nem sempre estão preocupadas com essas garantias de segurança e buscam no mercado empresas que possam oferecer um preço reduzido, sem se garantir de que todas as especificações para esse tipo de transporte estão sendo cumpridas e, somente na hora de um acidente é que acaba por se descobrir e o antigo ditado vem à tona: “o barato sai caro”. Para Veneziani, este problema pode ser minimizado com grandes investimentos em formação de profissionais adequados a análise de riscos, implementação do devido gerenciamento, roteirização e planejamento para evitar os riscos, formação adequada de condutores preparados e parceria com empresas voltadas ao rápido atendimento de emergência e contenção.

Por sua vez, Souza, da Rodorei Transportes, acredita que a principal dificuldade nesse relacionamento seja a falta de informação e parceria. “Os dois lados têm que se comunicar, explicar de forma transparente seus custos e processos, para que possam chegar a uma boa solução para ambas as partes.”

Outro problema que pode afetar o relacionamento entre as partes envolvidas na logística destes segmentos é a falta de planejamento de médio/longo prazo. Para Ossani, da Transportes Cavalinho, isto pode ser minimizado com um planejamento correto de médio/longo prazo.

Ajuda

Pelos problemas apontados acima, fica uma pergunta: como as transportadoras e os Operadores Logísticos podem ajudar os embarcadores, no dia a dia? “As transportadoras e os Operadores Logísticos podem trabalhar juntos, identificando os gargalos do processo com maior rapidez e atuando de maneira preventiva nas regiões de maior demanda de carga, a fim de minimizar os problemas com a distribuição”, ensina Fernandes, da Alfa Transportes Eireli, complementado por Veneziani, da Terra Master, para quem a ajuda pode vir através da prática das ações corretas de proteção à carga, ao meio ambiente e às pessoas. Ou, como aponta Santos, da Transportes Della Volpe: “tendo prévio agendamento do carregamento, as transportadoras podem disponibilizar os veículos apropriados para o transporte”.

Na visão de Souza, da Rodorei Transportes, os fornecedores de soluções logística têm como auxiliar os embarcadores entendendo seus gargalos e suas perspectivas de melhoria contínua em seus processos, adequando os seus serviços logísticos e aprimorando continuamente seus funcionários com treinamentos e profissionalismo, passando maior transparência e superando as expectativas do cliente. Além disso – ainda segundo o gerente comercial –, é necessário o uso das tecnologias disponíveis para fornecer informações em tempo real e segurança para as cargas.

“Com um relacionamento comercial de longo prazo, o transportador pode identificar a melhor operação através de equipamentos e time”, completa o diretor executivo da Transportes Cavalinho.

Uma logística diferenciada

Pelas características dos produtos movimentados e armazenados, a logística nos setores químico e petroquímico apresenta características diferenciadas em relação à praticada em outros segmentos. O principal diferencial – segundo Fernandes, da Alfa Transportes Eireli – diz respeito às normas que regulamentam o transporte de produtos químicos, que são muito rígidas, sendo necessária a utilização de equipamentos específicos e, principalmente, de mão de obra especializada, e como não é encontrada no mercado, o investimento constante em treinamento e formação de profissionais é grande.

“De fato, este tipo de transporte e operação logística é altamente complexo e as exigências em termos de responsabilidade ambiental são enormes. Mas reitero: não poderia ser diferente, pois envolve uma série de prejuízos que podem ser causados, como graves danos ao meio ambiente, contaminação de mananciais, intoxicação, problemas de saúde para a população e a perda de credibilidade da marca de nossos clientes. Não dá para atuar de outra maneira”, explica o diretor da Rápido 900, complementado por Ossani, da Transportes Cavalinho. Para este, a logística nestes dois segmentos requer cuidados especiais para acondicionamento, manuseio e transporte por tratarem-se de produtos com alto risco de danos ao meio ambiente e ao ser humano.

Souza, da Rodorei Transportes, também enfatiza que as características logísticas nestes segmentos são de ter maior controle desde a solicitação de coleta, passando pelo manuseio, armazenagem, acondicionamento nos veículos e entrega final, com detalhes dos riscos apresentados pelos produtos químicos que dependem de sua reatividade e toxidade, sendo necessária uma avaliação não somente das características físico-químicas, como também da forma de manipular estes produtos.

“Tratando-se do químico e petroquímico, há todas as exigências quanto às licenças ambientais, motoristas treinados e com MOPP (Curso de Transporte de Produtos Perigosos), incompatibilidade de determinadas cargas, etc.”, completa Santos, da Transportes Della Volpe.

VEÍCULO: Logweb

DATA: Março / 2015